Oi gente!!!
No post anterior, descrevemos a face mais bela de Campos do Jordão: 1/3 do município dentro de um parque muito bem gerido e preservado. Agora vamos continuar a contar a história dessa viagem (11/10/2009), mas desta vez nos vemos obrigadas a meter o pau na Suíça Brasileira por causa de sua outra face, degradada e poluída.
SUIÇA BRASILEIRA??? Até onde a gente sabe, existem sim favelas na Europa, principalmente em Madrid, França e Itália, mas na Suíça não. Já em Campos do Jordão sabemos de pelo menos 5: Britador, Vila Albertina, Vila Santo Antonio, Monte Carlo e Cachoeirinha. Todas em zona de risco de desabamento, então… alguém pode explicar a piada???
Depois de fazermos as trilhas ainda sobravam umas horinhas no nosso dia, decidimos seguir o conselho do esquilo e “conhecer mais”. As placas indicavam duas cachoeiras na avenida Pedro Alves Pereira , a cerca de 6 km do centro. O que vimos ali nos deixou pasmas:


???
- Cachoeira Véu da Noiva, Simplesmente IMUNDA e FEDORENTA!!! Do estacionamento já é possível sentir o cheiro de esgoto, mas a medida que se aproxima da cachoeira o cheiro fica insuportável. A quantidade de lixo acumulada nas margens é absurda, mas o que assusta mesmo é a cor e o fedor da água. A cachoeira é bonita, deve ter uns 2 metros de queda e bastante volumosa, mas não dá pra ficar perto. Em suas margens está o Tiago’s Music Bar (12)36636431, um boteco com dois palcos, lareira, e etc, famoso por sua porção de bolinhos de truta e pela vista para a cachoeira. Quando ligamos e perguntamos se o movimento do bar não foi afetado pelas condições da água, nos responderam que não, o faturamento vai muito bem obrigado e que a conservação do local é responsabilidade da prefeitura. Perguntamos se eles não podem pelo menos o lixo das margens (quintal do bar) pra não prejudicar a vista e disseram que não. Dá pra acreditar?!!

Cachoeira Véu da Noiva
No caminho de volta nossa indignação crescia à medida que líamos as faixas auto-promocionais espalhadas pelos bairros Abernéssia e Vila Capivari:
Catinga e lixo!!!
“Bem-vindo à Suíça Brasileira”; “Campos do Jordão, Conheça mais”; “Campos do Jordão, acima de suas preocupações”; “Cidade das Águas Murmurantes”; blá blá blá e etc. Que águas murmurantes? Gente, desde quando cocô fala???
Há duas semanas estamos ‘a fim de saber a verdadeira verdade’:
Secretaria do Turismo (12)3664-3525: diz que a Cachoeira dos Amores é um dos saltos que fazem parte da Cachoeira Véu da Noiva (???) e quando questionada sobre as péssimas condições da água e lixo acumulado, orienta a ligar para Secretaria de Meio Ambiente;
Secretaria de Meio Ambiente (12)3662-3526: orienta a pedir informações na Secretaria de Obras e Vias Públicas;
Secretaria de Obras e Vias Públicas (12)3664-5100: orienta a pedir informações na SABESP;
SABESP (12)3663-3200 – finalmente alguém explicou alguma coisa:
- Lamentavelmente Campos de Jordão despeja o esgoto in natura (100% sem tratamento) em seus córregos e rios;
- Embora a rede coletora já tenha sido construída e esteja pronta para captar o esgoto de toda cidade, ainda falta a construção da E.T.E. (Estação de Tratamento de Esgotos). O projeto encontra-se em fase de licitação, desapropriação e indenização de área e o prazo previsto para a o início de seu funcionamento é Janeiro/2012, quando começa o caro processo de despoluição dos rios.
O local onde seria instalada a ETE inicialmente foi interditado por interesse de grupos políticos, imobiliários e ambientais, e dada a existência de poucas áreas planas e fora de mananciais, a demora se estende e as condições ambientais apenas se agravam, mas isso não é o pior de tudo, a má notícia é que , esses córregos que carregam todo o esgoto da cidade (como o Ribeirão Capivari), desembocam no Rio Sapucai que alimenta a Bacia do Prata, abastecendo cerca de 46 municípios do Sul de Minas.
Como desgraça pouca é bobagem, não é apenas o cocô dos 50 mil habitantes (IBGE-2006) que polui a água utilizada por mineiros. A cidade recebe cerca de 1,2 milhão de turistas por ano.
Estamos tão sensibilizadas com essa situação que pensamos em encabeçar um movimento :

“PROTEJA O MEIO AMBIENTE, SE VOCÊ FOR A CAMPOS DE JORDÃO ATÉ 2012, POR FAVOR NÃO FAÇA O NÚMERO 2 “
Infelizmente não vimos nada de especial além do crime ambiental que acontece ali e também não ouvimos nada, mas se é verdade que as águas murmuram alguma coisa, devem cantar Cazuza:
“…a burguesia fede
a burguesia quer ficar rica
enquanto houver burguesia
não vai haver poesia…”
Embora tenhamos optado pela ironia e deboche para tratar do assunto, de tudo que já vimos em nossas viagens, isso foi realmente o mais triste. Bjs gente!



Segundo as informações da trilha, a flora dos “Campos de Altitude” (formações abertas não florestais que ocorrem à partir dos 1200 m de altitude), é formada principalmente por bambuzinhos, bromélias, orquídeas, velosiáceas, capins, sempre-vivas, musgo e líquens. Acostumados que estamos com matas úmidas e em altitudes menores, estranhamos demais a vegetação. A trilha muda um pouco após aproximadamente 1,5km.



