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CAMPOS DO JORDÃO – A outra face

23 out

IMG_1772Oi gente!!!

No post anterior, descrevemos a face mais bela de Campos do Jordão: 1/3 do município dentro de um parque muito bem gerido e  preservado. Agora vamos continuar a contar a história dessa viagem (11/10/2009), mas desta vez nos vemos obrigadas a meter o pau na Suíça Brasileira por causa de sua outra face, degradada e poluída.

SUIÇA BRASILEIRA??? Até onde a gente sabe, existem sim favelas na Europa, principalmente em Madrid, França e Itália,  mas na Suíça não. Já em  Campos do Jordão  sabemos de pelo menos 5: Britador,  Vila Albertina, Vila Santo Antonio, Monte Carlo e Cachoeirinha. Todas em zona de risco de desabamento, então… alguém pode explicar a piada???

Depois de fazermos as trilhas ainda sobravam umas horinhas no nosso dia,  decidimos seguir o conselho do esquilo e “conhecer mais”. As placas indicavam duas cachoeiras  na avenida Pedro Alves Pereira , a cerca de 6 km do centro. O que vimos ali nos deixou pasmas:
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- Cachoeira dos Amores, Simplesmente NÃO EXISTE!!! Gente, é apenas uma placa numa curva da estrada! Em frente à placa e a uns 4 metros  barranco abaixo, se enxerga um desnível no rio, uma pequena corredeira de talvez uns 50 a 80 cm de queda, parcialmente obstruída pelo lixo (ou formada por ele, vai saber!).  Detalhe: não há acesso (nem escada, nem trilha, nem nada), só a placa.
IMG_1764- Cachoeira Véu da Noiva, Simplesmente IMUNDA e FEDORENTA!!! Do estacionamento já é possível sentir o cheiro de esgoto, mas a medida que se aproxima da cachoeira o cheiro fica insuportável. A quantidade de lixo acumulada nas margens  é absurda, mas o que assusta mesmo é a cor e o fedor da água. A cachoeira é bonita, deve ter uns 2 metros de queda e bastante volumosa, mas não dá pra ficar perto.  Em suas margens está o Tiago’s Music Bar (12)36636431, um boteco com dois palcos, lareira, e etc,  famoso por sua porção de bolinhos de truta e pela vista para a cachoeira. Quando ligamos e perguntamos se o movimento do bar não foi afetado pelas condições da água, nos responderam que não, o faturamento vai muito bem obrigado e que a conservação do local é responsabilidade da prefeitura. Perguntamos se eles não podem pelo menos o lixo das margens (quintal do bar) pra não prejudicar a vista e disseram que não. Dá pra acreditar?!!
Cachoeira Véu da Noiva

Cachoeira Véu da Noiva

No caminho de volta nossa indignação crescia à medida que líamos as faixas auto-promocionais espalhadas pelos bairros Abernéssia e Vila Capivari:

Catinga e lixo!!!

Catinga e lixo!!!

“Bem-vindo à Suíça Brasileira”; “Campos do Jordão, Conheça mais”; “Campos do Jordão, acima de suas preocupações”; “Cidade das Águas Murmurantes”; blá blá blá e etc. Que águas murmurantes? Gente, desde quando cocô fala???

Há duas semanas estamos ‘a fim de saber a verdadeira verdade’:

Secretaria do Turismo (12)3664-3525: diz que a Cachoeira dos Amores é um dos saltos que fazem parte da Cachoeira Véu da Noiva (???) e quando questionada sobre as péssimas condições da água e lixo acumulado, orienta a ligar para Secretaria de Meio Ambiente;

Secretaria de Meio Ambiente  (12)3662-3526: orienta a pedir informações na Secretaria de Obras e Vias Públicas;

Secretaria de Obras e Vias Públicas (12)3664-5100: orienta a pedir informações na SABESP;

SABESP (12)3663-3200 – finalmente alguém explicou alguma coisa:

  1. Lamentavelmente Campos de Jordão despeja o esgoto in natura (100% sem tratamento) em seus córregos e rios;
  2. Embora a rede coletora já tenha sido construída e esteja pronta para captar o esgoto de toda cidade, ainda falta a construção da E.T.E. (Estação de Tratamento de Esgotos). O projeto encontra-se em fase de licitação, desapropriação e indenização de área  e o prazo previsto para a o início de seu funcionamento é Janeiro/2012, quando começa o caro processo de despoluição dos rios.

O local onde seria instalada a ETE inicialmente foi interditado por interesse de grupos políticos, imobiliários e ambientais, e dada a existência de poucas áreas planas e fora de mananciais, a demora se estende e as condições ambientais apenas se agravam, mas isso não é o pior de tudo, a má notícia é que , esses córregos que carregam todo o esgoto da cidade (como o Ribeirão Capivari), desembocam no Rio Sapucai que alimenta a Bacia do Prata, abastecendo cerca de 46 municípios do Sul de Minas.

Como desgraça pouca é bobagem, não é apenas o cocô dos 50 mil habitantes (IBGE-2006)  que polui a água utilizada por mineiros. A cidade recebe  cerca de 1,2 milhão de turistas por ano.

Estamos tão sensibilizadas com essa situação que pensamos em encabeçar um movimento :

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“PROTEJA O MEIO AMBIENTE, SE VOCÊ FOR A CAMPOS DE JORDÃO ATÉ 2012, POR FAVOR NÃO FAÇA O NÚMERO  2 “

Infelizmente não vimos nada de especial além do crime ambiental que acontece ali e também não ouvimos nada, mas se é verdade que as águas murmuram alguma coisa, devem cantar Cazuza:

“…a burguesia fede
a burguesia quer ficar rica
enquanto houver burguesia
não vai haver poesia…”

Embora tenhamos optado pela ironia e deboche para tratar do assunto, de tudo que  já vimos em nossas viagens, isso foi realmente o mais triste. Bjs gente!

P.E. de Campos do Jordão/SP

15 out

Olá!

Chegou mais um feriado e a nossa viagem foi mesmo planejada de última hora, desta vez. Pretendíamos voltar ao PETAR, mas a situação financeira atual não é lá essas coisas. Então, optamos por um lugar mais próximo para trilhas. O local escolhido foi o Parque Estadual de Campos do Jordão, mais conhecido por lá como “Horto Florestal”.

Fomos pela Via Dutra, seguindo até o km 132, depois pela SP 123 até Campos do Jordão. São mais ou menos R$ 9,00 de pedágio.

Mapa do P E de Campos do Jordão

Mapa do P E de Campos do Jordão

O parque é bem amplo e, pelas informações do folheto que recebemos na entrada, ocupa cerca de um terço do município. Pagamos R$ 5,00 para entrar e mais R$ 5,00 para estacionar o carro. Estudantes pagam meia e pessoas com mais de 60 anos não pagam.

Planejamos para este dia 2 trilhas: a Trilha dos Campos, de 3km, e a Trilha da Cachoeira, de 4,7 km (ida e volta). Conforme nos disseram no balcão de informações, a Trilha dos Campos termina logo no caminho da Trilha da Cachoeira, não sendo necessário voltar (por isso, 3 km são só ida).

Início da Trilha dos Campos.

Início da Trilha dos Campos.

A Trilha dos Campos nos decepcionou um pouco… as subidas são razoávelmente íngremes e de vegetação rasteira. Não há muito para ver senão os “mirantes naturais”, que remetem quase sempre à mesma paisagem.

P E Campos do Jordão 010Segundo as informações da trilha, a flora dos “Campos de Altitude” (formações abertas não florestais que ocorrem à partir dos 1200 m de altitude), é formada principalmente por bambuzinhos, bromélias, orquídeas, velosiáceas, capins, sempre-vivas, musgo e líquens. Acostumados que estamos com matas úmidas e em altitudes menores, estranhamos demais a vegetação. A trilha muda um pouco após aproximadamente 1,5km.

1,5km e, ufa! Árvores!

1,5km e, ufa! Árvores!

As árvores nos deram um certo alívio, porque no morro estava sol e fazia muito calor. Mas as subidas continuavam, mesmo sob a proteção das árvores. Bebemos muita água! rs

Depois das árvores, descemos aproximadamente 1km, no caminho

Instituto de Pesca

Instituto de Pesca

“mato-terra”. No fim da descida, encontramos o “Instituto de Pesca”, com vários tanques onde são criadas trutas-rosa. Lembrou-nos o trutário de Visconde de Mauá…

O Instituto de Pesca não está aberto à visitação pública, mas na frente da grade tem placas constando a espécie da truta e como se dá o ciclo de vida e a fecundação.

Terminada a Trilha dos Campos, seguimos para a Trilha da Cachoeira. São 4,7 km de trilha, ida e volta, sendo possível ir e voltar por caminhos diferentes (em partes). A trilha é de pedras e terra, e vimos muitas crianças seguindo por ela de bicicleta. Não é difícil – o caminho é agradável e cercado de árvores. Ao final dele, chega-se à cachoeir e é possível chegar até sua parte mais alta.

Cachoeira

Cachoeira

A cachoeira é bonita e, em dias de calor, acho que até dá para arriscar um banho. Preferimos a parte alta, onde se pode sentar nas pedras, conversar um pouco e descansar da trilha.

O caminho de volta também foi bem agradável – o caminho “alternativo” para a sede é ladeado por um rio. A possibilidade de caminhar com água murmurando ao lado da trilha é ótima e torna a volta menos cansativa e mais rápida. Desta vez, nenhum bicho na trilha (nem fofinhos e engraçados, nem  nojentos!).

Ao fim de tudo, ganhamos mais 2 carimbos no passasporte Trilhas de São Paulo, e agora só faltam 32 trilhas!!! E vimos que Campos do Jordão tem um pouco a mais para oferecer do que Capivari.

Boa Diversão e até!!

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